Adolescentes

ADOLESCENTES

 Depois de uma turbulenta fase de aprendizados, temores e dúvidas passando pela puberdade, o ser humano agora entra na grande e promissora fase da adolescência. O ser humano adolescente começa a firmar as suas opiniões e as escolhas determinarão o rumo de sua vida. Entrando no 15º ano de sua vida, o ser humano vê o mundo de uma forma diferente, cheio de oportunidades. Porém o mundo real ainda é desconhecido e o apoio dos pais e familiares vai proporcionar boas direções, se houver respeito em relação ao adolescente. Respeitar o adolescente é permitir que ele expresse seus sentimentos e desabafe o que o está incomodando interiormente, mesmo se ele elevar o tom da voz. Falar num tom um pouco mais alto pra um adolescente que foi respeitado em sua infância, não significa necessariamente desrespeito aos pais, mas sim que algo está fervendo dentro dele e que ele precisa colocar para fora. Se interagirmos com palavras boas num tom de voz normal mostrando compreensão pela sua dor e pelo seu sofrimento devido às suas incertezas, nós passaremos esta fase com tranquilidade. Se, ao contrário, confrontarmos e discutirmos a cada vez que o adolescente fala de forma alterada, o ambiente será insustentável e uma barreira se instala na comunicação e o relacionamento fica tragicamente abalado.

A adolescência é a fase em que o respeito e a confiança precisam prevalecer. Um bom relacionamento com o adolescente caminha através da amizade que os pais demonstram a ele: amigos dos filhos, mas sem se igualar, pois continuam sendo pais e isto precisa ser lembrado de vez em quando. Não é usando a força e o poder que vamos conquistar a confiança do adolescente, mas sim lhe dando o respeito e a consideração que é devido a todo ser humano. Se desde pequeno os pais ensinaram limites e horários e os filhos não foram deixados na rua ou na vizinha e lhe foi dada a devida atenção, então esta fase passará mais facilmente. Mas se não foi assim, nunca é tarde para começar a restaurar os relacionamentos. O relacionamento entre o adulto e o adolescente só vai mudar se houver mudança por parte do adulto. O adulto é maduro o suficiente para acabar com o ‘jogo de poder’ que só serve para piorar as contendas. O adolescente ainda não é maduro e não vai saber ceder porque além de estar ferido e se sentir injustiçado, precisa se afirmar como pessoa. Com a mudança vinda de quem tem a autoridade, o adolescente vai se sentir respeitado e vai gostar de uma reviravolta na situação para poder viver em paz. O adulto muda e o adolescente acompanha, é simples assim. Quando o jovem, seja menino ou menina, não se sente bem em casa por que as cobranças são exageradas e mal direcionadas, ele não vai querer ficar muito tempo em casa e com razão. Ninguém gosta de ficar onde há pessoas que fazem críticas, que falam mal de outros ou que fazem fofocas. Precisamos compreender que o adolescente está descobrindo o mundo e precisa de tempo para associar o que está aprendendo. Bem melhor é para o adolescente descobrir o mundo conosco em casa do que na rua com estranhos.

Não é porque o adolescente já tem altura fisicamente que ele pode ser responsável por uma casa, cuidar de irmãos ou ter uma vida adulta. Se os pais precisarem dos filhos, devem aprender a colocar a situação, sem impor, sem obrigar, mas ensinando que precisam de sua ajuda e que não tem naquele momento a quem recorrer.

Quando os pais querem saber onde os filhos estão não é uma questão de controle, é uma questão de preocupação. Mas impor regras não funciona. Frases como: “você tem que estar aqui antes das 10 horas porque eu estou mandando!” só vai gerar conflitos. Brigar com eles quando voltarem porque passaram da hora só vai fazer com que eles queiram se afastar cada vez mais e estar fora de casa.

O adolescente que não se sente a vontade e não se sente amado em casa, vai procurar sossego e carinho em outro lugar. E este lugar pode não ser exatamente na casa da vizinha que gostamos e confiamos ou na casa da vovó. Pode ser justamente no meio daqueles que se fazem passar por amigos para destruir a vida dos nossos adolescentes. Adolescentes que não são respeitados e cujos pais exigem demais, acumulam revolta dentro de si e vão procurar fazer aquilo que não agradaria aos pais. Fora de casa eles terão acesso a caminhos de falsa satisfação como as drogas, o homossexualismo, a prostituição, o fumo, o alcoolismo, ser vítimas de pedofilia ou ingressar no tráfico de drogas ou humano, por exemplo. Não é isso que queremos para eles e devemos lembrar que eles ainda não estão aptos a tomar boas decisões para a vida e podem acabar presos na teia do crime. Infelizmente no Brasil os adolescentes são facilmente envolvidos nestas situações porque são ainda muito influenciáveis. Crianças que tiveram uma boa educação na infância podem ser vítimas se ao chegar a adolescência houver conflitos com os pais.

O lar precisa ser um ambiente de amor e carinho, qualquer que seja a idade dos filhos. Se mesmo nós quando adultos precisamos de um ombro amigo, quem dirá um adolescente que pensa que sabe tudo, mas que na verdade ainda não sabe grande coisa da vida? Então antes de descarregar as preocupações e medos em cima dos filhos, os pais devem mudar o próprio comportamento. Bons relacionamentos se conquistam com bons sentimentos. Nós precisamos conversar com os filhos e dizer a eles claramente o quanto nós os amamos e queremos mudar o relacionamento que temos com eles, se não for um bom relacionamento. É muito melhor sermos amigos para termos o direito de opinar. Eles ainda precisam de orientação, mas vão aceitar muito melhor se esta orientação não for imposta. Como os adultos agem com o filho do vizinho? Ou com os sobrinhos? Não é diferente? Então os pais devem ser diferentes com os filhos também!

Dos 15 aos 17 anos, o adolescente frequenta o ensino médio normal. Para evitar problemas com a disciplina, ainda são necessárias várias mudanças nas escolas. Um adolescente cheio de vida e vontade de ser alguém vai, sem dúvida, se entediar ao ser obrigado a estudar matérias que ele não gosta e que considera uma perda de tempo e com razão. Uma forma que o adolescente acha para amenizar o tédio é se autofirmar entre os colegas fazendo coisas para distrair os colegas e chamar a atenção dos que oprimem.

Um grande passo precisa ser feito em relação à escola, levando-se em consideração a era da tecnologia e o princípio virtual. Por exemplo: um adolescente, que sonha em ser confeiteiro ou qualquer profissão na área da gastronomia, usaria melhor o seu tempo fazendo estágios com profissionais do que estudando matérias que não lhe servirão para a profissão. A área de turismo é outro exemplo. Ou, ainda, como se sente um futuro brilhante cientista que se vê obrigado a estudar geografia ou filosofia enquanto poderia estar aprendendo as matérias específicas da sua aptidão e fazendo estágio em um laboratório? No entanto, no sistema de ensino atual, se não obter médias em todas as matérias, o adolescente não recebe o diploma. Sem o diploma não consegue um emprego com carteira assinada em seu próprio país. País este que permite o funcionamento de escolas de supletivo em que o jovem pode obter em alguns meses o mesmo diploma, estudando em casa as apostilas com presença apenas nas provas marcadas quando ele achar que está pronto. Tudo isto não é meio contraditório, meio confuso? A vida dos adolescentes está em questão. Temos que cuidar deles para que se tornem adultos felizes e confiantes. Não podemos ignorar os adolescentes e achar que eles são apenas, como dizem, “rebeldes sem causa”: se existe rebeldia, existe uma causa.

Para conquistar e respeitar o adolescente, os adultos precisam se importar com o que ele gosta e com o que é importante pra ele. Respeitar o adolescente como ser humano é entender seus medos e sua autoafirmação, não levando a ferro e fogo tudo o que ele diz. Munir-se de paciência e discernimento sabendo que, se o adolescente se rebelar é porque algo está errado dentro dele e ele não está sabendo como resolver. Então sua defesa é o ataque, a agressão. Mas retribuir com a mesma agressão não é a solução, ao contrário, pois a situação ficará insustentável. Os adultos, que são mais maduros, devem saber que as agressões não são pessoais a não ser que o adulto tenha dado motivo desrespeitando o jovem. Desrespeitar não é somente agredir verbalmente, mas também não dar espaço ao jovem para se expressar, o que gera a maioria dos conflitos porque os adultos acham que os jovens não tem o direito de falar por serem menores. Mas se não os deixarmos falar eles vão sufocar e então começa a contenda. Nós adultos já passamos pela adolescência e temos que entendê-los e ser pacientes. Quanto mais formos contra eles a situação tende a piorar, os ânimos se abatem e os relacionamentos são comprometidos. Se nós pretendemos ter menos trabalho com o adolescente, devemos ajudá-lo a passar por esta fase. Ajudar um adolescente é entendê-lo, ouvi-lo e amá-lo pelo o que ele é e não pelo que ele faz. Conversar, ouvindo o ponto de vista do adolescente para chegar a um acordo. Entender o seu lado, ceder, mas também pedir que ele faça a sua parte. Fazer acordos e dar voto de confiança. Nós podemos fazer muito mais pelos nossos adolescentes.

 Acompanhar os seus problemas e proporcionar apoio faz a grande diferença. Ajudar um adolescente é ouvir tudo o que ele tem pra dizer e ajudá-lo a direcionar sua vida mostrando as opções de ocupação relativas às suas aptidões e talentos. Mudar o foco: mostrar as oportunidades que cada um tem conforme as suas habilidades. Diálogos em bom tom funcionam, monólogos não.

 

 

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2 Responses to “Adolescentes”

  1. MADALENA

    amei esse comentario vai me ajudar muito pois tenho flLho nesta idade

  2. luciana

    Excelente artigo.

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