Assuntos Fora do Tempo

ASSUNTOS FORA DO TEMPO

O desenvolvimento sadio do campo emocional da criança depende do aprendizado apropriado à sua faixa etária. Falar de um assunto que foge ao nível de entendimento da criança, por ela ser ainda imatura, invade um espaço em sua pequena mente que ainda não está pronto para absorver o aprendizado. Por exemplo: não podemos ensinar a um bebê a escrever porque a sua mente não está pronta, e os músculos pequenos de sua mãozinha não estão ainda prontos para movimentos pequenos e constantes. A sua memória também não está suficientemente madura ainda. Os ensinamentos precisam se enquadrar no contexto de sua maturidade emocional, intelectual e social. Existe a idade certa para ensinamos a abotoar o casaco ou amarrar os cadarços do sapato. Assim devemos agir com assuntos mais profundos e importantes como o comportamento, a obediência, a cooperação ou os princípios e valores em que acreditamos.

Dentre os assuntos abordados fora do tempo, que costuma ser totalmente inoportuno e prejudica seriamente o desenvolvimento da criança trazendo complicações para toda a sua vida eu cito: o namoro. Falar com crianças pequenas sobre namoro é comum entre a sociedade, embora este assunto devesse ser abordado apenas quando o ser humano sai da adolescência e vai para a idade considerada como adulta. Uma criança pequena está ainda descobrindo que o menino não é em tudo igual à menina. O despertar precoce de relacionamento amoroso prejudica o desenvolvimento pessoal e escolar. Uma criança aprende sobre socialização, aos poucos entrando e se reconhecendo no núcleo familiar, descobrindo que ela mesma é um indivíduo diferente dos outros. Este aprendizado leva anos! Uma criança de cinco ou seis anos não deve se preocupar com o namoro. Nesta idade, as crianças precisam de muitos amiguinhos sejam eles meninos ou meninas. Por volta dos 10 anos chega a fase de se enturmar e preferir os amigos do mesmo sexo, para depois, por volta dos 15 anos, começar a despertar algum interesse pelo sexo oposto de uma forma mais intensa do que a amizade. Jovens precisam fazer amigos dos dois sexos e ter a liberdade de poder falar com o sexo oposto sem ser rotulado de apaixonado. Esta terrível opressão da sociedade em relação a ter alguém para namorar faz com que o jovem se sinta desconfortável ao manter uma amizade com o sexo oposto. E surge a preocupação em acertar o comportamento para que os outros não venham invadir sua privacidade de escolha. Esta preocupação mantém a mente ocupando um tempo que deveria ser aproveitado nos estudos e no desenvolvimento do potencial e do social.

O ser humano precisa ter o seu espaço íntimo preservado e ninguém tem o direito de invadir o espaço do outro. Cada ser humano tem o direito de escolha, de andar em seu próprio ritmo, de aprender aquilo pelo qual tem aptidão e fazer o que gosta de fazer. As suas escolhas dependerão das opções que lhe forem mostradas: se uma criança vive na frente da televisão e nunca foi apresentada devidamente a um livro que desperta seu interesse, ela nunca vai gostar de estudar.

Falar de namoro iniciará um processo destrutivo de autoestima pela preocupação que crianças e pré-adolescentes têm em se preocupar com algo que não faz parte da idade, somente para agradar aos adultos. Esta preocupação atrapalha os estudos e o desenvolvimento sadio. É como se pedíssemos a um adolescente para começar a se preocupar com a aposentadoria, é completamente fora do tempo: o adolescente precisa primeiro se preocupar em terminar seus estudos e escolher uma carreira profissional para depois pensar em aposentadoria. Precisamos usar o bom-senso e filtrar o ensinamento.

Cada fase tem seu aprendizado e suas preocupações, não vamos precipitar as coisas. A criança precisa se desenvolver em seu próprio ritmo, sem a imposição do que os adultos querem. A criança terá o seu lado sexual despertado por instinto quando for a hora, ou seja, por volta dos 18 anos. Antes disso a mente da criança não está madura o suficiente para entender o que significa um relacionamento amoroso. Nossos filhos têm direito a uma infância sadia da qual se lembrarão com alegria e saudades.

Nós podemos incentivar atividades próprias da idade, que desenvolvam o raciocínio da criança, a habilidade manual ou musical, ensinar um novo idioma, ensinar a fazer brinquedos, fantoches, há muitas opções para desenvolver o potencial da criança e prepará-la para uma vida mais satisfatória. Observando a criança podemos descobrir o que ela gosta sem impor o que nós gostamos. Os bons hábitos que os pais têm, serão imitados e seguidos pelos filhos naturalmente.

Sempre é bom lembrar que cada ser humano tem gostos e aptidões diferentes. Valendo igualmente entre irmãos, primos ou coleguinhas que são educados juntos.

 

 

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